domingo, 3 de junho de 2007

Domingo, dia de shopping

Mais uma vez não fomos para a praia. A previsão era de chuva,tempo ruim. Definitivamente, praia com chuva não dá. Mesmo que esteja nublado e literalmente "não dê praia", ainda assim é possível passear no calçadão, tomar um sorvete; mas com chuva a única coisa seria ir ao shopping ou ficar no apartamento. Preferimos adiar, mais uma vez, a ida à praia.

Então, como sempre, sobram N coisas para o final de semana, já que durante a semana o relógio corre depressa e não sobra tempo pra mais nada além da rotina básica "acordar-trabalhar-voltar pra casa-dormir". E hoje, para não passar em branco, fomos mais uma vez ao shopping que fica a cinco quadras de casa.

Saímos por volta de 17h de casa, e lá pelas seis a Fernanda começou a "alarmar" de fome. Usamos este termo porque na UTI, quando as incubadoras esquentam demais, começam a berrar um som agudo e insuportável, que nenhum enfermeiro em sã audição consegue suportar. E como a chatice da Fernanda também é difícil de suportar, dizemos que ela está alarmando...

Pois bem. Vimo-nos no meio do shopping, sem nenhum tipo de suporte (bolsa com apetrechos, mamadeira, essas coisas que você começa a deixar em casa depois que adquire um pouco de "experiência"), a não ser o fraldário do próprio shopping, que dá fraldas, carrinhos e tudo o mais. Mas lá não tem comida - e muito menos aquela que a Fernanda está acostumada a comer: a papinha da vovó.

Sugeri então, num ato de desespero causado pelo "alarme", que voltássemos para casa. Mas aí começamos a pensar: pô, estamos num shopping, será que não tem nada aqui que elapossa comer?

ez segundos depois, veio a luz: um restaurantezinho chamado Giraffa's, que quase todo shopping tem. Achamos uma mesinha, sentei com a Fernanda enquanto minha esposa ia lá conferir o cardápio. Acabou comprando um prato de arroz, feijão, peito de frango empanado e batatas fritas. Hmmm, que criança não ia gostar disso, ainda mais "temperado" pela fome?

Mas aí teve um problema: o talher. Lá só tinha colher de sopa, garfo e faca. Aí já é pedir demais - muita mudança, muita novidade para um dia só. O suco ela já aprendeu a tomar de canudinho - por isso não nos preocupamos mais com mamadeiras, copinhos de treinamento ou o escambau. Tá com sede? Chupe o canudinho. É fácil - e ela já sabia fazer isso.

Fernanda começou a se estressar porque não conseguia lidar com o garfo. O cadeirão que o shopping fornece, que estava limpinho quando pegamos, já estava precisando de uma boa lavada. Precisamos de uma colherzinha de plástico, pequenininha, que caiba na boca da Fernanda. Mas onde?

Olhei para trás. Vi um Bob's. Ahá! Eis-me lá, no balcão do Bob's, pedindo uma colher. O rapaz, atencioso, ainda disse o 'volte sempre' do script obrigatório... No restaurante ao lado, consegui vários guardanapos - após é claro ter comprado uma tônica para a Vivi.

Ah, agora sim. Fernanda comeu bastante: arroz, feijão, quase que o peito de frango inteiro, um monte de batatas fritas e uns bons goles de suco. Aí ela viu a latinha de tônica, aquela Schweppes (ô nomezinho ruim este, não?). Começou a querer a latinha, com seu amarelo reluzindo sob as luzes fortes do shopping. Tentei não dar, estava cheia, ia derramar, fazer meleca. Fui cruel - ou melhor, tentei ser cruel: dei a latinha para que ela experimentasse, na esperança de que o gosto amargo daquela coisa fosse fazê-la perder o interesse.

Ledo engano - mais um. Essas crianças nos surpeendem, não? Bebeu com mais vontade do que o suco - e nem careta fez, apesar da tônica (não vou escrever o nome dela de novo, muito ruim) estar estupidamente gelada e cheia de gás. Dá pra entender? Foi muito engraçado.

Hora de ir embora. Fomos lá no fraldário devolver o carrinho - porque levar aquele trambolhão que temos em casa não é fácil - e caminhamos para o carro. Eu levava Fernanda no colo, mas seus 11kg pesam. Aí eu olhei para ela e disse: "mas porque eu estou te carregando?"

Colocamo-la no chão. Ela ainda não anda sozinha, só com as mãos dadas. Então eu peguei uma mãozinha e a Vivi a outra, e fomos. Acontece que mesmo não sabendo andar, ela quer andar na nossa frente, mais rápido. Às vezes cambaleia, quase cai, mas ri, levanta e anda no mesmo passo.

Para chegar ao estacionamento, há duas esteiras rolantes. Queria só ver como é que ela faria ao chegar na esteira. Pedi que a Vivi não a levantasse, que deixasse ela ver como era. E não é que a danadinha se deu bem? Ao entrar na esteira deu uma cambaleada, mas quando estava chegando no final ela já levantou uma perna, antecipando o passo que teria que dar para não perder o pequeno eqüilíbrio que tem. Espertinha...

Por isso eu digo: quer fazer de sua ida ao shopping uma pequena aventura? Tenha filhos. E leve-os lá. E fique atento às pequenas coisas que essas coisinhas minúsculas fazem. Coisas que ficarão na sua lembrança para sempre!

Nenhum comentário: